12.7.09

645

want to tell you that i love you 'cause i really do . want to give you the answers if you ask me to . want to leave your door for the last time . want to leave the floor for the first time . leave the boys, leave the girls, leave it all behind . trust your dreams, your thoughts, it's a matter of time . run right, run left, just don't look back . take this trip as your first step . 'cause the tears that we waste only make us blow . why we keep in repeat this antony song . "forgive me, forgive me, forgive me, forgive me" . you know i need you there . you know why i tried to be simple . i tried a lie . everything is perfect from there . and you know i need you there . why don't we try ? . and break all the rules . forget the lies . everything's perfect from there . you know i need you there.

9.7.09



História Trágica com Final Feliz
Regina Pessoa (2005)






At the Ends of the Earth
Konstantin Bronzit (1999)

6.7.09




















"Para mim chega."











5.7.09

O Sapato da Sogra

Doutor, tudo foi um repente, uma confusão. Ela era uma perita em banco de trás. Batons para um lado, sapatos para outro, como um sonho estranho. [...] Garanto-lhe que nem na tropa eu me tinha alguma vez servido de uma mulher da vida. Mas a curiosidade... [...] O pior, doutor, o pior ainda está para vir. Nem queira saber... É que no outro dia era sábado. Mas não era um sábado qualquer. A minha sogra fazia anos e tínhamos todos combinado ir almoçar ao Ginjal a uma tasquinha que tem umas sardinhas assadas e um tinto de se lhes tirar o chapéu. Lá nos metemos no carro, eu e a minha mulher à frente, a minha sogra e a minha filha Alexandra, atrás. Não é que durante o caminho eu vou sempre com uma mão no volante e outra, disfarçadamente a espiolhar, a tudo quanto chegava, não tivesse a galdéria do dia anterior deixado alguma coisa esquecida ali por baixo dos bancos? E que descubro eu? [...] Pois é, mesmo por baixo do meu banco estava um sapato. [...] Não é tarde nem é cedo - pensei - enquanto olhava o Cristo Rei, desviei num segundo o olhar para o lado oposto e disse: Já viram como as giestas estão tão amarelinhas desse lado? Elas a olharem, para ver onde estavam as giestas e zás, sapato janela fora. [...] Parei o carro junto ao restaurante do Ginjal, toca a sair toda a gente, menos a minha sogra. Ai, Tó Zé, tem que descobrir aí debaixo do seu banco onde é que o meu sapato foi parar, que eu tenho muita dificuldade em me curvar. O seu sapato? Qual sapato? Então não os trazia nos pés!? Não. São a estrear e o direito descalcei-o porque me estava aqui a moer um calo. O carro não tem buracos, tem de estar aí debaixo. Ainda por cima uns sapatos de pele de crocodilo que me custaram os olhos da cara.

("O Sapato da Sogra" de Eduardo de Brito Aranha
Ilustrações de Joana Silvestre)

A.'s shared items in Google Reader