6.4.08

6 de Abril de 2008

O telemóvel tocou de mansinho. A Sushi desatou a correr, irritada. Não gosta que a acordem assim. Abri os olhos devagar e estiquei a mão para o telemóvel. "Nasceu a Simone. É uma bonequinha!", dizia a minha irmã. Pela cabeça passaram-me os quatro dias semelhantes a este. Os dias do nascimento do Sebastião, Mateus, Carolina e Gabriel. Nenhum foi igual mas, em todos, o meu sorriso foi o mesmo. Dançava com as batidas do coração.

A Simone é cor-de-rosa e resmungona. Tem dedos delicados e as unhas enormes. Tem os lábios-coração da família. Espirra e gosta de mamar. Para já ainda não falamos muito. Gosto do cabelo dela. E ela apertou-me o dedo.
Há algo de incrível na maternidade, em ouvir as histórias das minhas irmãs sobre estes dias. Hoje foi o primeiro dia daquele pedaço de céu cor-de-rosa. Ainda ontem estava guardada do mundo. Acho que o que mais me assusta na maternidade é a responsabilidade. A Simone vai ser o centro do mundo dos pais e eles vão ter de saber tudo e sofrer e rir tanto. Ela vai ser o mundo e nem sabe. Esta dependência. É tão bonita.


Aos poucos também consigo aguentar a responsabilidade de sorrir. Consigo pegar no carro e com o meu Arquipélago de Gulag e a PJ Harvey nos meus ouvidos pedir uma cerveja sem me sentir extremamente deprimida. O pior das dependências é que, quando algo falha, tudo muda drasticamente. Há uma nova aprendizagem. Tal como a Simone vai aprender a falar, eu vou ter de aprender a não me sentir temerosamente mal ao ouvir a One Line.

























sem asas de outro abraço encaminho-me para este canto bravio e gelado. sei que este lugar ainda te pertence. se fechar os olhos consigo percorrer o teu corpo na escuridão da minha mente. levo a mão ao peito. ainda bate. posso pintar histórias na tua mão? desenhar um mapa de nós nas tuas costas para o decorares num espelho, sem partir. 7 anos? sempre. entende que os meus sorrisos são glaciares de amor gelado com o propósito de manchar a cama onde te deixo. não entendas que são cartas de audácia maior que combatem a dor e a diáspora de emoções quando as tuas três pedras me tocam. com a lembrança dos teus lábios lacrimejantes na minha pele chega um arrepio na nuca. vais seguir o que digo ou o que eu sinto?

"não tens que ser bonita o tempo todo.
e não deixas de ser bonita porque algo é mais forte que tu e fere-te."

A Simone nasceu.

4.4.08

A música da infância.



É impossível resistir a um coro de sapos. Tão bonito.

29.3.08

Momento egocêntrico: Oh Mandy



You got a gnome in the backyard
you put him right on the X mark
you’re eating brains out the back of my head
oh yeah, that's where the money is

Oh Mandy, Oh Mandy
Oh Mandy, Oh Mandy
So Dreamy, Oh Mandy
So Killing, Oh Mandy
Oh Mandy, Oh Mandy

27.3.08

Portishead @ Porto














Cos this life is a farce

I can't breathe through this mask
Like a fool
So breathe on, little sister

breathe on

(ainda a reunir palavras)

24.3.08

Álbum

Hoje eu, as duas mães e os meus avós resolvemos desempoeirar os álbuns antigos e, envoltos no cheiro a naftalina, passamos uma tarde a recortar pedacinhos de vida.

Antes de tudo, carreguem no play. E vejam (:



O meu avô atravessava a nado o Rio Douro.
Adoro o fato de banho.

A minha avó.
Acho que é das mulheres mais bonitas que alguma vez vi.


O meu avô.
Esta foto está incrível.


Mãe, Avó, Tia.
A foto mais retro de sempre.

Mãe <3

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