11.3.08

Como te chamas, sorriso?

Saio do estágio de cabeça baixa a tentar perceber os meus passos no meio daquele chão molhado. Sorrio para a Candelabro a fechar portas, cruzo-me com o quiosque do Largo de nome-francês, tão abandonado naquele vazio de cidade. Entro na Rua da Picaria e saboreio o cheiro a madeira. É noite cerrada e já nada cheira a promessa.

Demoro-me na montra do Turco. Um dia tenho de vir aqui. Fecho o guarda-chuva. Ao menos vou poder ler no comboio...

Um sorriso do tamanho do mundo pára-me. Inquire-me. "Senhora, senhora!" (Ai... Eu cá não sou senhora!) "Quer este desenho?"

Seguro a menina de cabelo rosa, chapéu roxo e cão bem definido. Para mim? O sorriso acena que sim. Que bonito. Como te chamas, sorriso?



A Alexandra não sabe.

Mas ela hoje foi a melhor parte do meu dia.

10.3.08

Alice, és turva

"Compor do amor esgota as palavras, sempre os mesmos medos anfíbios, as mesmas recusas de côdea crua. O rosto dividido em vários semblantes, a mesma dor aguda picada sobre as úlceras. De lua contrafeita no vaivém de nuvens pardacentas, o berço da noite assenta sobre o orvalho como uma maquinaria de sonhos. Boa noite meu amor, encontro-te difusa na minha boca como uma úvula de campânula. Boa noite meu amor, ainda há um lugar incerto entre a aura do teu alento e os meus braços. Escrever pelo amor estanca nas palavras. O gelo da sanha, a mágoa segregada na bainha das feridas. Sobra o corpo encaixotado nas talas de madeira, a saudade mastigada sobre o pus da gangrena. De lua inerte no desvão negro das trevas, o cerrar da noite transparece no céu a quilómetros de distância. Boa noite meu amor, demoras-te no embargo calado da ternura, permanecem as flores lodosas do teu Inverno. Boa noite meu amor, que o amor não me permite desejar-to de coração livre. Boa noite meu amor.

Dizer-te o quanto desfaleço na tua ausência seria sentenciar-nos à
incoerência deste mesmo amor."
(in Férreos Transversais, Alice Turvo)

Alice nasceu num sábado de sol. Alice é Turvo, é Férreos Transversais, é palavras escutadas, é um hino ao amor. Mas para mim é mais que isso.

No entanto, estas palavras dela são hoje para ti.

29.2.08

Eu liguei numa boa hei!



Alô..
Ola jóia,
Sou eu, teu picasso.
Mas não fazes num fanico
Eu não sou um maçarico!

Eu liguei numa boa hei!
Numa boa hei!
Numa, numa boa hei!

Eu cá estou, sem drama aguardarei
O amor vem mas também vai...

Algum... zum zum...
Diz-me la... Tu hum ??
Na verdade eu só quero dar-te muita felicidade.

Alô...
Ola jóia...
Sou eu de novo... o picasso
Mas não me fazes num fanico
Eu não sou um maçarico

Está lá... ahhh
Está lá... uhhh
Está lá... ahhh
Está lá... va lá !

Simplesmente a melhor música de sempre, com a melhor letra de sempre, com o melhor clip de sempre.

24.2.08

Persépolis

Crónicas deste Irão demasiado presente.

12.2.08

nightly cares

'Touch or feel, you blinding must
Soft the skin
Of the warmest rust
'Cause nothing blows in the faraway
I go, go away
Past the hills, past the day'

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