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9.5.07

1095 - agora 1097

Três anos. As palavras são poucas para dizer tanto. Mas são 1095 dias, agora 1097.

Deixo outras palavras e outras músicas. Também minhas, também nossas.

Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um

- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum.

Eugénio de Andrade

28.2.07

Sentimentos em cartas

Hoje, todo o dia, a mesma discussão: relações. O mesmo pensamento: Porquê?

Sei que não compreendo muita coisa. Não compreendo os círculos concêntricos que o impacto de uma pedra na água provoca. Não compreendo o facto de dar tanta importância à voz de cada pessoa. Também não compreendo a maioria dos seres humanos.

E nisto, eis que olho para ti e vejo-me. Sei que sou a pessoa com mais sorte do mundo por ter esta cumplicidade, esta entrega, este momento. Ter a certeza, a noção absoluta de que não te quero mal. De que tu não me queres mal. De que estou nua a teus olhos, pelas e perante as tuas palavras. Isso não me fere, não me enfraquece. De facto, é essa certeza que me torna forte, a par e passo.

Noutro dia falava de cartas. Cartas de amor, cartas à mão, com marcas de lágrimas e de romantismos falseados, com caligrafia desajeitada e um papel amarrotado. Sinto que as pessoas evoluíram como estas cartas. Tornaram-se electrónicas, fugazes, rápidas. Telegráficas, urbanas, realistas. Independentes, num só canal, numa só via, Maquiavéis de novos tempos.

Mas, afinal... não é o conteúdo que faz uma carta? E uma pessoa? E uma relação?

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