22.10.07
9.7.07
13º Superbock Superock - O Rescaldo (em poucas palavras)
há uns tempos. Adorei. São óptimos em palco e a música tem
uma melodia que faz sorrir, naturalmente. Embalaram
e adoçaram a noite. Foi dos melhores concertos do festival.
E, automaticamente, dispararam para a minha playlist.
O álbum Those The Brokes é das coisas mais bonitas que
ouvi ultimamente. A sensação que tive à saída do concerto foi
a mesma de quando saí do grande espectáculo que os Arcade Fire
deram em Paredes de Coura. Acho que isso diz tudo.
A ouvir, ali ao lado ->
Arcade Fire
muito altas. Eles conseguiram satisfazê-las. Agora já não são eles os seus
próprios roadies e já têm um palco com artifícios bonitos como pequenos
écrans redondos e uma fachada solene de um órgão de Igreja.
Tudo neles transpira música. Uma música que é vista como solene,
como um bem maior, como algo mágico.
Foi pena o concerto ter começado com 15 minutos de atraso e ter
terminado a horas. Maldita organização e os seus horários-à-inglesa.
Linda Martini
A qualidade do baterista é inegável e, finalmente, ouvi a voz do vocalista sem ter de me esforçar muito. Grande alinhamento e boa energia.
Maxïmo Park
ouvi bem o cd, logo não posso dizer muito. Mas à
primeira audição acho que posso dizer que foi o vocalista
que me prendeu. Grande presença em palco e voz limpa
mesmo quando corria o palco de uma ponta
à outra. Além disso, chapéus de côco recomendam-se!
E aquele tom assemelha-se, ligeiramente, ao Morrissey
na época dos Smiths. Ou sou eu que estou
a imaginar coisas.
LCD Soundsystem
mais viva para ter aproveitado o concerto ao máximo.
Aquela 'Yeah Yeah Yeah' foi dos melhores
momentos do festival. Foi pena ter encerrado
com uma música deprimente, cujo refrão me
acompanhou o resto do festival todo
"New York I love you, but you bring me down"
adaptado a "Sacavenense I love you, but you bring me down"
The Gossip
Sabia que ia ver um grande concerto e não me enganei.
Beth Ditto <3>
Scissor Sisters
(foto gentilmente roubada ao _nowadays_ que,por sua vez, gentilmente a retirou daqui)
Além do Jack ter mostrado o rabinho, o concerto
valeu por mais que isso. Foi contagiante do
princípio ao fim. Eles são muito bons ao vivo e
aquela Tits on the Radio ainda me ressoa no ouvido.
Foi perna ter sido quase derrubada por um menino
que quase se matava pela toalha semi-transpirada do vocalista -_-
Entre parêntesis
Tv On The Radio
hino. Mas ainda não sei se gostei, verdadeiramente, do
concerto. Eles têm um poder instrumental único e
vocalizações inesquecíveis. Mas talvez estivesse
à espera de mais... Ainda não sei.
Interpol
que assenta que nem uma luva. A questão é quando esse
silêncio se pode tornar desconfortável. Penso que pode
ter acontecido um pouco disso com os Interpol. Senti-os
distantes bastantes vezes. No entanto, três vivas
à mestria com que agarram as guitarras e constroem
músicas intemporais.
Decepções
Estava muito curiosa para ver Mundo Cão. Qualquer projecto que tenha a pena mágica do Adolfo Luxúria Canibal cativa-me. Parece-me que eles se resumem, apenas, a grandes letras. Não é que o concerto tenha sido mau... Mas eles precisam de crescer em palco.
Estádio do Sacavenense
Se o Superbock quer-se tornar uma referência dentro do seio dos
festivais de verão tem de começar a pensar,
urgentemente, num novo parque de campismo.
Um campo de futebol, por muito cómico que possa ser,
não é um local para acampar. A partir das 9h da manhã são poucos
os que se mantêm acordados com o calor que se sente dentro
da tenda. No primeiro dia fiquei com falta de ar.
Do meu grupo, quase todos fomos vítimas de escaldões
(e eu pus protector) e de más-disposições estranhas. Ao menos
umas sombrinhas artificiais, não?
E balneários onde só podem tomar banho 5 meninas
ao mesmo tempo e sem água quente é penoso. Acordar com a fábrica
do Skip à frente também não é propriamente confortável.
Mesmo quando "É bom sujar-se".
E já que estou a pedir muito:
Seguranças bêbados não dão
segurança.
2.7.07
9.5.07
1095 - agora 1097
Três anos. As palavras são poucas para dizer tanto. Mas são 1095 dias, agora 1097.
Deixo outras palavras e outras músicas. Também minhas, também nossas.
Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum.
Eugénio de Andrade
Etiquetas: amor, música, sentimento
11.3.07
Na noite em que perdi a carteira...
Abandonei-me perto daquela árvore. Fiquei encostada nela durante muito tempo. Ouvi a pulsação, o éter da vida que tudo tem. Em harmonia, deixei o meu coração bater, antes de o espetar num ramo. Só aí fechei os olhos e respirei pela primeira vez.
deixei as palavras correr. O sangue escorreu pelos lábios em direcção a ti. Estavas de olhos fechados, ausente. Não me viste a esbracejar, a cortar o ar com gritos. Apertei-te a mão contra espinhos de rosas; apertei-te a mão contra o espigão da árvore; apertei-te a mão contra mim... e aí doeu mais. A ti.
deixei as palavras correr e agora escondo-me atrás do muro. Vejo uma flor, breve e serena, a nascer. É tímida ainda e não tem pressa de viver. Invejo-a. Sei que amanhã vou voltar aqui e vou encontrar outra mão, despida, desenquadrada deste jardim. Vai ser essa mão que vai plantar uma nova árvore para mim. Podar os ramos, escolher as sementes, levar-me ao hospital. Não vou ver luz porque não preciso. Não vou falar porque não tem sentido. Vou deixar as palavras correr, perder metade de mim, dançar contigo pela noite, roubar momentos que são meus e vou-me encontrar, mais tarde, ao virar da esquina. Quem sabe... talvez me dirija um olá. Ou, simplesmente, vou fingir que nem me vejo.
Etiquetas: amor, noite, quanto te escrevo
28.2.07
Sentimentos em cartas
Sei que não compreendo muita coisa. Não compreendo os círculos concêntricos que o impacto de uma pedra na água provoca. Não compreendo o facto de dar tanta importância à voz de cada pessoa. Também não compreendo a maioria dos seres humanos.
E nisto, eis que olho para ti e vejo-me. Sei que sou a pessoa com mais sorte do mundo por ter esta cumplicidade, esta entrega, este momento. Ter a certeza, a noção absoluta de que não te quero mal. De que tu não me queres mal. De que estou nua a teus olhos, pelas e perante as tuas palavras. Isso não me fere, não me enfraquece. De facto, é essa certeza que me torna forte, a par e passo.
Noutro dia falava de cartas. Cartas de amor, cartas à mão, com marcas de lágrimas e de romantismos falseados, com caligrafia desajeitada e um papel amarrotado. Sinto que as pessoas evoluíram como estas cartas. Tornaram-se electrónicas, fugazes, rápidas. Telegráficas, urbanas, realistas. Independentes, num só canal, numa só via, Maquiavéis de novos tempos.
Mas, afinal... não é o conteúdo que faz uma carta? E uma pessoa? E uma relação?
Etiquetas: amor, cartas, quanto te escrevo, sentimento
