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20.12.07

Ciclos



Nas estações de comboios corre um mundo de despedidas. Uma mão que acena, um casal que se abraça, um beijo quente ou uma face sem vida.

As estações de comboios fecham ciclos. No fim da linha há o destino. No comboio, nunca se sabe o frio que está lá fora ou o olhar que nos vai receber.

Eu passo muito tempo em estações de comboios. Habituei-me a observar correrias desenfreadas e as expressões esgotadas do princípio e do fim do dia. Continuo sem perceber o frio que está atrás da porta.

Ponho já o cach
ecol? Guardo as luvas?





O professor Vidinha orienta-se pelo nascimento das magnólias nos Clérigos. Sabe que quando elas florescem tem de aproveitar o tempo porque se aproxima o fim do semestre.

Eu não tenho magnólias para me dizerem que o tempo escasseia.

Hoje fechou-se um ciclo. Ressuscitei conversas envoltas numa nostalgia de dois anos e meio de faculdade.

Não queria ter de...

Queria dizer "até amanhã".
Queria que aquela folha de
presenças não fosse tão amargurada.
Queria continuar... acho.

Não queria ter de escolher.
Aproxima-se o estágio.
E eu recuso-me a
crescer


5.5.07

.Queima 2007.


Mais uma queima! E desta vez com aulas o.O
Uma boa queima para todos.
Para os finalistas: 'até já'
Para os caloiros: 'bem-vindos'
A mim espera-me uma semana com álcool e pouco sono.

E, já agora, momento publicitário:
http://www.jpr.icicom.up.pt
Cobertura da Queima das Fitas do Porto 2007


11.3.07

Na noite em que perdi a carteira...

deixei as palavras correr. Escorreram-me pelos lábios em direcção ao chão. Em queda. Curvei-me para apanhar cada letra e construí um discurso, uma história. Outra história.
Abandonei-me perto daquela árvore. Fiquei encostada nela durante muito tempo. Ouvi a pulsação, o éter da vida que tudo tem. Em harmonia, deixei o meu coração bater, antes de o espetar num ramo. Só aí fechei os olhos e respirei pela primeira vez.
deixei as palavras correr. O sangue escorreu pelos lábios em direcção a ti. Estavas de olhos fechados, ausente. Não me viste a esbracejar, a cortar o ar com gritos. Apertei-te a mão contra espinhos de rosas; apertei-te a mão contra o espigão da árvore; apertei-te a mão contra mim... e aí doeu mais. A ti.

deixei as palavras correr e agora escondo-me atrás do muro. Vejo uma flor, breve e serena, a nascer. É tímida ainda e não tem pressa de viver. Invejo-a. Sei que amanhã vou voltar aqui e vou encontrar outra mão, despida, desenquadrada deste jardim. Vai ser essa mão que vai plantar uma nova árvore para mim. Podar os ramos, escolher as sementes, levar-me ao hospital. Não vou ver luz porque não preciso. Não vou falar porque não tem sentido. Vou deixar as palavras correr, perder metade de mim, dançar contigo pela noite, roubar momentos que são meus e vou-me encontrar, mais tarde, ao virar da esquina. Quem sabe... talvez me dirija um olá. Ou, simplesmente, vou fingir que nem me vejo.

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