19.2.09

Futuro primitivo (Sou Fujimoto)


Sempre desvanecidos os dois diante de nós, aniquilados.
A violência deixa-a, ela cede à ternura.

ELA. - Vejo que tem quinze anos, que tem dezoito anos. (pausa) Que voltou de nadar, que sai do mar traiçoeiro, que se estende sempre junto de mim, que escorre a água do mar, que o seu coração bate depressa por causa das braçadas rápidas, que fecha os olhos, que o sol é forte. Olho-o. Olho-o depois do medo atroz de o perder, tenho doze anos, tenho quinze anos, a felicidade nessa altura podia então ser guardá-lo vivo. Falo-lhe, peço-lhe, suplico-lhe que não volte a tomar banho quando o mar está tão forte. Então abre os olhos e olha-me sorrindo e volta a fechar os olhos. Grito que tem de mo prometer e não responde. Então calo-me. Olho-o apenas, fito os olhos sob as pálpebras fechadas, não sei ainda nomear este desejo que tenho de lhe tocar com as mãos. Afasto a imagem do seu corpo perdido nas trevas do mar, flutuando nas profundezas do mar. Só vejo os seus olhos.

Longo silêncio.

ELE. - Sabe, não consigo suportar a ideia desta partida.
ELA. - Também eu a não suporto. (pausa)Somos semelhantes perante a partida. Sabe que é assim.

[Goldberg, Mansfield.TYA, Duras]

4 comentários:

Anônimo disse...

ia escrever algo. . .

Frambú disse...

ia escrever algo, escrevi eu. . .

Amanda disse...

então escreve, carai. `_´

Frambú disse...

lol tu não me digas carai que fico te(n)sa!



- que raio!, exclamei. não me digas que andas sempre assim!

- assim como?

- sem um soutien, sem nada. . .

- acha que preciso?

- não é isso que está em causa.

- então o que é?

- nada. era só para minha informação.

dois minutos depois estava já a intimar-me.

- hoje é que tem de ser. hoje é que tem mesmo de me mostrar o tal cantinho das suas admiradoras.

- qual cantinho, qual carapuça!

- ah! pensa que eu não sei? o tal quartinho todo cheio e espelhos. . . e com um grande divã, que tem tanto de largo como de comprido. . . vê como sei tudo?

[...]

david mourão-ferreira |um amor feliz


bom, eu quando for grande, velha e devassa quero ter um quartinho para as admiradoras. isto se o tempo não for demasiado horrível comigo e a gravidade não me acentue os pesos e as direcções das peles e carnes. . .

A.'s shared items in Google Reader