29.12.08

Os desenhos deles

Esta sou eu

na opinião de três dos meus sobrinhos.
Qual preferem?



Gabriel, três anos.
Gosta de abstraccionismo.


Carolina, quatro anos.
Realista, mas com potencial para Action Painting


Sebastião, nove anos.
Possivelmente, renascentista,
dado as minhas formas perfeitas e os meus olhos azuis.

28.12.08

curiosamente, acho que é o post 100

O blog mudou de cara.

EDIT: e voltaram (alguns) links

Comentários?

La Parade


*

Encerro no interior das pálpebras as imagens que insisto tactear.
Teimo em existir nas entrelinhas dos lábios que despejam promessas no chão.

Promessas ao chão.
Promessas de chão.
Desenho um cadeado inventado que disfarça a ausência da segurança dos teus braços.
Aqui diluo os perfumes e sabores que sempre foram meus.
Não acredito que a parada de emoções termine depressa.

Hoje toquei piano e todas as frases se tornaram
difusas, incoerentes, sem seguimento.

Só pontos finais.
(*Yann Tiersen ft/ Lisa Germano - La Parade)

27.12.08

"Merece tanto assim a tua vida?"

Tento abandonar-te no fim das escadas de cartão, em que fabricava partidas e destinos. Regresso à necessidade de criar palavras para contar estas quimeras ásperas e cruas, sem tradução narrativa, mas com tradição ocular. Hoje emudeci. Com o silêncio a sentir tudo isto. Um ditongo, preso na corda da língua, enrola e encaracola, chega baixinho neste sussurro que parte da pele e irrompe pelo íntimo torpor das tuas carícias. A janela do comboio não tem reflexo nem transparência. Quando duas mãos já se conhecem também não precisam de observações, ilações fugidias, jogos de cruza e descruza, de mói e remói, de aproximar ou distanciar. A janela do comboio continua sem reflexo. Com cada palavra a sentir tudo isto. Com cada dia a sentir tudo isto. Sabes que este cigarro, que tenta fumar o passado, arrepia, lembra, recorda. É penoso e duradouro. Questiona.

Será que mereces tanto assim a minha vida?

11.12.08

Se noutro dia, às 9 horas da manhã, estava sozinha na redacção, hoje, às 10 horas, estava num cemitério.

10.12.08

Spam porno-humorístico

Já tinha ouvido falar de um género de spam porno-humorístico no Womenage a Trois, mas nunca tinha prestado uma verdadeira atenção ao meu e-mail da faculdade. Hoje, tudo mudou. Resolvi, antes de apagar, ler realmente estes e-mails. E há de tudo. Há "jogadores português bem conhecidos como João Pinto e Pauleta bêbados no bar e dançando no balcão". O Sócrates, que "na sua juventude estuprou uma aluna". Também há "sexo inverossimelmente desenfreado" e "alunas portuguesas únicas no seu género". O melhor, só mesmo as "gargantas e traseiras que gemem como carroças rangentes nas ruas de Lisboa".

Ver tudo (isto é, o Print Screen :x) aqui



6.12.08

No escuro, a mão

"O meu coração é uma pista. Uma pista de carrinhos de choque. Ele é mais uma corrida mais uma viagem. Mais uma corrida, mais uma vertigem. Dá-se bem com solavancos. Dá-se bem com travagens e acelerações. Precisa de andar aos encontrões. O meu coração, colado ao chão, está lançado numa corrida desenfreada. O meu coração corre em busca de outros corações. E ele é PIM PAM PUM ZÁS CATRAPÁS e PUMBA e PIMBA. Sempre colado ao chão. O meu coração não voa. Ele rasteja. Mas rasteja depressa."
Regina Guimarães

1.12.08

Dream is Destiny

"Se fôssemos, por exemplo, papa-formigas, a senhora e eu, em lugar de conversarmos um com o outro neste ângulo de bar, talvez que eu me acomodasse melhor ao seu silêncio, às suas mãos paradas no copo, aos seus olhos de pescada de vidro boiando algures na minha calva ou no meu umbigo, talvez que nos pudéssemos entender uma cumplicidade de trombas inquietas farejando a meias no cimento saudades de insectos que não há, talvez que nos uníssemos, a coberto do escuro, em coitos tão tristes como as noites de Lisboa, quando os neptunos dos lagos se despem do lodo do seu musgo e passeiam nas praças vazias ansiosas órbitas ferrugentas. Talvez que finalmente me falasse de si. Talvez que atrás da sua testa de Cranach exista, adormecida, uma ternura secreta pelos rinocerontes. Talvez que, palpando-me, me descubra de repente unicórnio, a abrace, e você agite os braços espantados de borboleta cravada em alfinete, pastosa de ternura. Compraríamos bilhetes para o comboio que circula no Jardim, de bicho em bicho, o seu motor de corda, evadido de um castelo-fantasma de província, acenando de passagem à gruta de presépio dos ursos brancos, tapetes reciclados. Observaríamos oftalmologicamente a conjuntivite anal dos mandris, cujas pálpebras se inflamam de hemorróidas combustíveis. Beijar-nos-íamos diante das grades dos leões, roídos de traça como casacos velhos, a arregaçarem os beiços sobre as gengivas desmobiladas. Eu afago-lhe os seios à sombra oblíqua das raposas, você compra-me um gelado de pauzinho ao pé do recinto dos palhaços, bofetadas de sobrancelha para cima que um saxofone trágico sublinha. E teríamos recuperado dessa forma um pouco da infância que a nenhum de nós pertence, e teima em descer pelo escorrega num riso de que nos chega, de longe em longe e numa espécie de raiva, o eco atenuado."


(in Os Cus de Judas, António Lobo Antunes)



Grails - Silk Rd

9 da manhã, sozinha na redacção

Feriado. 9 horas da manhã.

Sozinha na redacção.

Podia fazer uma corrida de cadeiras, mas prefiro ouvir Grails.

Sem phones. wow

Este fim-de-semana o meu sobrinho agradeceu-me o postal que lhe enviei por correio ao convidar-me para jogar à Batalha Naval com ele.

Depois estive a fazer os trabalhos de casa com outro sobrinho. Aprender a ler e a contar.

"Cê Há lê-se QÁ quando não tem cedilha, Mateus. Não, quatro mais cento e onze não dá cinco."

E agora lembro-me. Tenho de digitalizar os desenhos deles.

30.11.08

Yann Tiersen ft/ Shannon Wright - Dragonfly

On the day that we met
I awoke
From a total sleep
You said
Keep your eyes open wide
And keep my arms open wide
You brought me courage
You bring me courage
To keep my eyes open wide
And keep my arms open wide
You brought me courage


13.11.08

O Meu Inferno em Guantánamo

"Quando regressei à gaiola, não acreditei nos meus olhos: havia um novo prisioneiro na Charly-Charly-1, dentro de uma gaiola que até àquele momento tinha estado vazia. Era ainda novo, talvez da mesma idade que eu, teria 19 ou 20 anos. Estava deitado no chão e emitia uns sons baixos. Não estava a chorar, mas pensei que estava a ouvir uma coisa parecida com uma melodia, uma triste canção árabe. Já não tinha pernas. As feridas eram muito recentes. (...)
Quando os guardas apareceram para o levar para o interrogatório, ordenaram-lhe que se sentasse de costas para a porta e pusesse as mãos sobre a cabeça. Quando abriram a porta, precipitaram-se lá para dentro como sempre faziam: empurraram-lhe as costas e obrigaram-no a deitar-se, depois prenderam-lhe as mãos e amarraram-no, de maneira que ele já não se podia mover. Abdul gritava com dores.
Por que é que estavam a fazer aquilo? Ele já não tinha pernas, e talvez pesasse quarenta quilos. O que lhes poderia ele fazer? (...)
O estranho era que, embora tivesse sofrido dores inimagináveis, ele era uma pessoa muito contida. Apesar do seu péssimo estado, interessava-se pelos outros. Quando o IRF-Team lhe batia, nunca chorava. Mas quando via outros prisioneiros a serem espancados nas suas gaiolas, então chorava. Chorava alto. Tinha compaixão, embora ele próprio estivesse a ser tratado de um modo tão desumano. Depois foi mudado para outro lado e nunca mais o vi. "
(in O Meu Inferno em Guantánamo, Murat Kurnaz)

11.11.08

Emmet Gowin


Nancy, Danville, Virginia,
1969

31.10.08

Magalhães no chat do gmail

Sent at 12:30 PM on Friday

me: pah eu sonhei
ou hoje quando acordei
ouvi o Sócrates dizer que o Chávez tinha atirado um magalhães ao chão
e ele não se partiu?
Joana: LOL
me: e que todos os ministros tinham um magalhães
porque é um pc dos 7 aos 77?

me: porra é mesmo verdade
estou a ler no DN
“Sócrates explicou que se trata de um computador feito a pensar nas crianças, simples e
resistente, e até relembrou que "o Presidente Chávez o atirou um dia ao chão e não se partiu'”
Joana: .
me: o mais incrível é que isto parecia ser ridículo o suficiente para eu ter sonhado

Sent at 12:41 PM on Friday

29.10.08

António Lobo Antunes fala de Arquipélago da Insónia

"Se a gente quer escrever livros a sério tem de aspirar ao silêncio
e encher os livros de silêncio."

(eu sei que hoje estou a abusar e que o blog nunca viu tanto post,
mas pronto, vale a pena)

Escher, "Print Gallery", 1956


"...an amazing mind bending visual technique called the 'Droste Effect'
which is based on an uncompleted lithograph that Escher made in 1956.
The maths behind the lithograph was so complicated that Escher
was unable to finish the centre of the picture and so left it blank. "

Lykke Li & El Perro del Mar


SPLIT SERIES LYKKE LI & EL PERRO DEL MAR- DANCE DANCE DANCE
by lablogotheque



Ecos de uma Suécia que quebrou as temperaturas negativas.

(e a Lykke vem cá em Dezembro. Déjà vu ali ao lado com o Bon Iver)

Hoje CSS

Já dizia o outro, "Donkey é chato p’ra burro".

28.10.08

On the road


"If you read On the Road, it's a valentine to the United States," he says. "All this is pure poetry for almost a boy's love for his country that's just gushing in its adjectives and descriptions. You know, Kerouac used to say, 'Anybody can make Paris holy, but I can make Topeka holy.'"

27.10.08


I never meant to be the needle that broke your back
You were here, you were here, and you were here
Don't look back



Se a cidade do Porto tivesse voz,
seria a de Cat Power que se ouviria em cada rua.

24.10.08

É ir e ficar lá.

Sedutor, vil, apaixonado por ela (,) só,
amante da carne e do osso,
com fobias, corcunda, mau amigo, eterno,
amante de carne e osso.
[
até 31 de Outubro.
é ir.
já agora, sejam amigos da seiva.
]

23.10.08

Pasmei

Entrevista de Stefan Petzner à rádio pública ORF

Áustria: sucessor de Haider confessa que mantinha com ele "relação que ia para além da amizade"

(...) Porém, depois do acidente de automóvel que o vitimou, foi revelado que não só o líder populista – que foi durante muitos anos a face da extrema-direita austríaca – conduzia em excesso de velocidade, como tinha níveis de álcool no sangue quatro vezes superiores ao permitido. Ficou igualmente a saber-se então que Haider tinha passado as suas últimas horas de vida num bar “gay” em Klagenfurt, capital do estado do qual era governador. Petzner indicou ainda que Claudia, mulher de Haider há 32 anos e mãe das suas duas filhas, estava a par da relação entre os dois e não se opunha a ela.


ler mais aqui (Público)
"É a cultura, estúpido!"
"É a hipocrisia, estúpido!"

14.10.08

Deolinda


E eis que Ana Bacalhau volta para falar de tubas, luta operária e Lisboa, sempre Lisboa. São os Deolinda, com origem nos Lupanar, e futuro... será que interessa? "Vão sem mim que eu vou lá ter" gritava-se naquela tenda do Sudoeste, repleta de jovens imberbes com a puberdade a espelhar-se na cara. Ali estava a geração morangos juntamente com a rasca e com aquela outra, da Internet, unidos pelo som do Melro ou do fonfonfon. Precisamos de mais vozes assim, mais músicas assim, mais coisas que lembram saudade mas são pintadas de amarelo. Como o vestido, dela.

8.10.08

Maria José Morgado e Saldanha Sanches em entrevista na Pública do último domingo

Quiseram ser políticos?

S.S. - Não. Éramos revolucionários.
M.J.M. - Era a luta por um mundo melhor, com tudo o que isso implicava: liberdade, pluralismo…
S.S. - Mas éramos estalinistas. Com alguma crítica, mas aceitávamos o Estaline.
M.J.M. - E o Bando dos Quatro. Mas se quisermos coar isso tudo, e não é para nos safarmos, no fundo o que queríamos era o que temos hoje: liberdade.
S.S. - Não, liberdade não era um valor que nos interessasse. O que nos interessava era a justiça pura, não haver miséria… Quando deixei de acreditar naquilo, via uma pessoa a pedir na rua e ficava deprimido. Porque eu achava que tinha uma solução. Depois reparei que não havia solução nenhuma. Era uma coisa missionária, quase religiosa.
M.J.M. - Éramos muito frugais, vestíamos muito modestamente…
S.S. - Embora tomássemos banho… [gargalhada]
M.J.M. - Há coisas que nunca nos passaram. Nunca comprámos um carro. Eu não tenho carro, o meu marido não tem carro e a minha filha não tem carro.
S.S. - Também por mania, para não seguir toda a gente. Nunca foi nosso objectivo ganhar muito dinheiro. Pode haver aqui uma racionalidade burguesa: pensar na aurea mediocritas do Horácio e a partir daí estamos bem. Vejo gente a meter-se em negócios para comprar uma casa de campo gigantesca… São loucos! Vale lá a pena sujar a face, entrar em compromissos inaceitáveis, fazer coisas que devem moer lá na cabeça para comprar uma casa?

(...)

Estava psicologicamente preparada para a possibilidade de ser presa. Quando isso aconteceu, como reagiu?
M.J.M. - Fui presa por uma razão de delação. Dois estudantes, muito jovens, não resistiram à pancada e sob tortura falaram no meu nome. Não lhes levo a mal. Sou amiga deles.
S.S. - Resistiram bastante tempo.
M.J.M. - Mas depois falaram. A PIDE teve a prova de que eu fazia parte do grupo. Nessa altura já não estava em casa dos meus pais, estava na chamada clandestinidade. Tinha alugado um quarto.

Quem pagava o quarto?
M.J.M. - Eu, com o dinheiro que os meus pais me davam.
S.S. - O partido, se fosse preciso, também dava.
M.J.M. - Sim, mas era a minha mãe que me dava. Ao fim de um tempo, vinha para casa de uma reunião, de madrugada, e vi uns carros à porta. Eu vinha com uma incumbência: queriam que eu escrevesse uma coisa sobre “os novos revisionistas: cães de trela do social fascismo”! Já tinha escrito aquilo umas três ou quatro vezes e achavam sempre que estava mal. Rasgavam tudo, para que eu não pudesse aproveitar nada do que tinha feito. Vinha muito desgraçada da vida porque achava que nunca mais na vida ia ser capaz de escrever um texto que aprovassem. Cheguei a casa, bati à porta, vi a sala cheia de fumo e, quando o senhor me mostra o crachá, pensei cá para mim: “Olha que alívio, já não faço o texto sobre ‘os novos revisionistas: cães de trela do social fascismo’!”
Para ler integralmente nos Caminhos da Memória

Elogio ao amor por Miguel Esteves Cardoso

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor éamor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como nãopode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."


(in Expresso)

6.10.08

À conversa com taxistas

Fruto da minha actual actividade profissional (será que se pode chamar assim?) tenho andado, dia sim, dia sim, a viajar de táxi. E há pérolas. Assim:

"- Então, o táxi é seu?
- Não! É do filho da puta do canceroso do meu tio. É canceroso, mas não morre, o cabrão. E só pensa em guito! Há uns tempos disse que ia arranjar alguém melhor que eu e tirou-me o táxi. E eu, "ala moleiro", que se faz tarde. Depois veio de joelhos pedir-me para voltar. E eu voltei. A minha mãe também diz "canceroso e só vê guito!"


E agora lembrei-me, por associação aos taxistas não ao conteúdo, de um post do Pedro Mexia, há uns tempos, no Estado Civil.
Uma resposta à pergunta «por que escreve?»

«Não me reconhece?», pergunta o taxista dois minutos depois de eu entrar no táxi. Não o reconheci. «Sou o taxista apaixonado», explica. Foi identificação bastante. Há uns dois anos apanhei um taxista que me contou que estava muito apaixonado e que precisava urgentemente de bibliografia. Achei graça, sugeri uns títulos e desejei boa sorte. Nessa noite, contei o episódio no blogue. O texto foi republicado no meu livro Prova de Vida, que o taxista me diz que encontrou por acaso numa livraria. Folheou-o e deu logo com a história do «taxista apaixonado». Comprou o livro. E ontem disse-me: «Mais ninguém sabe que sou eu que estou naquele texto, mas eu sei que sou eu».

2.10.08

Uframe


Lembram-se daquela curta com um nome "francês e pretensioso" ?

Pois bem, vai estar em competição aqui




1.10.08

Google Reader ali ->



Ora, a partir de hoje, e por tempo indeterminado, quando visitarem este cantinho não irão encontrar aquela listagem quase interminável de links. Agora podem ver aquilo que ando a partilhar via Google Reader (uma das melhores ferramentas do Google). O Google Reader é, basicamente, um leitor de feeds (RSS), que são coisinhas que avisam que um dado site foi actualizado sem o ter de o visitar. O Google Reader dispõe, assim, todos os feeds dos sites que o utilizador subscreveu (avisa-o quando são actualizados). Além disso dá para partilhar feeds com os amigos e vice-versa. Vá,quase partilhar links com os amigos.

É isto. É o primeiro post tecnológico que faço. Wow.

25.9.08

O novo dos TVOTR


Eles, de facto, não sabem fazer um mau álbum. Das melhores coisinhas que ouvi ultimamente.

(agora que já não há p-indie para a menina, chateio-vos por aqui)

22.9.08

escuto


Janta - Marcelo Camelo e Mallu Magalhães


toques de jasmim em sonhos com cheiro a relva cortada

3.9.08

e é assim que começa...

"de noite, a maria da graça sonhava que às portas do céu se vendiam souvenirs da vida na terra. gente de palavras garridas que chamava a sua atenção com os braços no ar, como quem tinha peixe fresco, juntava-se em redor da sua alma e despachava por bagatelas as coisas mais passíveis de suprir uma grande falta aos que morriam. os últimos charlatães, pensava ela, envergonhada até por ter de pensar depois de morta, ou que talvez fosse coisa boa antes de se entrar no céu ser dada a oportunidade de levar um objecto, uma imagem materializada, algo como prova de uma vida anterior ou extrema saudade. ela pedia-lhes que a deixassem passar, ia à pressa, insistia, sabia mal o que fazer e não podia decidir nada sobre nada. seguia perplexa e não querendo arriscar a ganância de se depositar na eternidade a partir de um acto de posse. por uma compreensível angústia, ansiedade ou frenesi de ali estar tão pela primeira vez, mantinha a esperança de que talvez são pedro a esclarecesse e, com um pé lá dentro e outro ainda fora, lhe fosse possível comprar o requiem de mozart, a reprodução dos frescos de goya ou a edição francesa das raparigas em flor."

valter hugo mãe in o apocalipse dos trabalhadores

Quem tem, quem tem

Quem tem, quem tem
Amor a seu jeito
Colha a rosa branca
Ponha a rosa ao peito
(Lempicka + Mariza)

14.7.08


















não estás aqui mas vejo-te nítido quando uma
pétala de bruma envolve a casa e adormece o
desejo. um astro ininteligível e de órbita
difícil guia-me, ilumina-te. pelas frestas dum
espaço oco perscruto o eco do meu corpo, o
silente medo de continuar vivo.

Al Berto

Das Curtas em Vila do Conde


Prémio Melhor Animação - David O'Reilly, Irlanda


Estejam atentos porque os premiados vão andar aí a saltitar pelo país. E valem muito a pena.

Durante esta semana apercebi-me de duas coisas: uma curta, mas duvido que fugaz, paixão por curta-metragens e outra por Vila do Conde. Nunca pensei que fosse tão bonita.







8.7.08

Alfaiates são vestígios de um Porto que teima em existir



"O Porto ainda mantém vários sinais de um passado
em que fatos eram coisa só de alfaiate. (...)"



Há mundos apaixonantes. Este é um deles. E gostei muito de o trabalhar.
Aqui fica.

2.7.08


I'm a young soul
In this very strange world
Hoping I could learn a bit bout what is true and fake
But why all this hate?
Try to communicate
Finding trust and love is not always easy to make

1.7.08

opah :x

Os meus primeiros cd's, para além dos Starkids e Onda Choc:


João Loureiro, na altura em que dançava e não gostava (tanto) de futebol, com a Ana Deus a andar de baloiço


Linda Perry, a minha ídola de infância. Actualmente, o cd está todo riscado e o meu sobrinho pintou a capa. (p.s. eu queria ir ao mini chuva de estrelas cantar isto para ter um daqueles chapéus incríveis com óculos igual ao dela)














diga-se, que ela agora, está estranha. E anda para aí a escrever músicas para as Gwen's e Pink's deste mundo.





E Skunk Anansie, claro. Isto graças às minhas irmãs e béu béu béu, pardais ao ninho.
Se me lembrar de mais algum, aviso.
Prometo :x

21.6.08

Six Feet Under, o fim



































Our death is our wedding with eternity
What is the secret? "God is One"
The sunlight splits when entering the windows of the house
This multiplicity exists in the cluster of grapes
It is not in the juice made from the grapes
For he who is living in the Light of God
The death of the carnal soul is a blessing
Regarding him say neither bad nor good
For he is gone beyond the good and the bad
Fix your eyes on God and do not talk about what is invisible
So that he may place another look in your eyes
It is the eternal light which is the Light of God
The ephemeral light is an attribute of the body and the flesh
Oh God who gives the grace of vision
The bird of vision is flying towards
You with the wings of desire

Mawlana Jalal-ad-Din Rumi

Forever Grateful, Yours Truly (hearts u)

4.6.08


Sam: You've grown.
Lucy: Have I?
Sam: Yeah, 'cause your ears are bigger and your eyes are older.


Às tantas da noite, noutro dia, o Sam e a Lucy voltaram a entrar pela minha televisão.
Sem descanso.

18.5.08

A mãe é que sabe


May the good lord shine a light on you
Make every song your favourite tune
May the good lord shine a light on you
Warm like the evening sun

(The Rolling Stones)

11.5.08

Queima 2008: 4 + cada um no seu quadrado + pisaduras














Sushi observa a bengala partida enquanto
o pavão brilhante cintila na minha cartola indestrutível azul

______________________


zidane no inimigo, zidane no inimigo

______________________




camarões, galos e pisaduras em dias que cheiram e sabem a esperança



Call me insane . That’s because you drive me .
It takes a lot of walking . To get to know you .
It takes a lot of talking . To see through you .
It takes a lot of walking by your side .

3.5.08

Soyons réalistes, demandons l'impossible


Estamos sempre a aprender. E o jornalismo é uma colaboração preciosa para isso. Nas últimas semanas estive a desenvolver um trabalho sobre o Maio de 68 e é algo de espectacular perseguir a história e conversar com as pessoas que viveram estas coisas que nós pensamos estar tão longe. Percebi que este movimento estudantil que conquistou toda a sociedade francesa permanece nos nossos dias, de algum modo.
E que se não fossem aqueles estudantes, aquela geração, nada seria como é agora.

" Esta geração tem de ser contada... Aqueles jovens que, com vinte anos, iam para a guerra e, ou eram mortos, ou tinham de matar. Imagine-se o que é transformarmo-nos naquilo que mais nos repugna. A minha geração teve de viver com isso e não merece ser esquecida", justifica Diana Andringa, referindo-se à herança deixada pelo movimento estudantil de 60 às gerações actuais.

A jornalista considera que as lutas estudantis eram motivadas, principalmente, por um "gozo imenso" porque a "única recompensa era ir para a cadeia". "Eu devo à minha geração ela ter-me permitido viver com ela. Nós nunca acreditámos que o amanhã falasse por si. Mas queríamos um amanhã melhor", admite Diana Andringa. "

21.4.08







The light you see in my eyes
You do have something to do with

Play the game namely
love
Play it like you have nothing to lose

Horse loves you when you move with him
People hate you when you're changing

16.4.08

Sem título

Enjoyed [ a tribute to Björk

. por Liars
. por Xiu Xiu
. por Bell
. por Dirty Projectors
. por High Places
. por Atlas Sound

Projecto da Stereogum
Download Gratuito (aqui)

p.s: obrigada sérgio*

6.4.08

6 de Abril de 2008

O telemóvel tocou de mansinho. A Sushi desatou a correr, irritada. Não gosta que a acordem assim. Abri os olhos devagar e estiquei a mão para o telemóvel. "Nasceu a Simone. É uma bonequinha!", dizia a minha irmã. Pela cabeça passaram-me os quatro dias semelhantes a este. Os dias do nascimento do Sebastião, Mateus, Carolina e Gabriel. Nenhum foi igual mas, em todos, o meu sorriso foi o mesmo. Dançava com as batidas do coração.

A Simone é cor-de-rosa e resmungona. Tem dedos delicados e as unhas enormes. Tem os lábios-coração da família. Espirra e gosta de mamar. Para já ainda não falamos muito. Gosto do cabelo dela. E ela apertou-me o dedo.
Há algo de incrível na maternidade, em ouvir as histórias das minhas irmãs sobre estes dias. Hoje foi o primeiro dia daquele pedaço de céu cor-de-rosa. Ainda ontem estava guardada do mundo. Acho que o que mais me assusta na maternidade é a responsabilidade. A Simone vai ser o centro do mundo dos pais e eles vão ter de saber tudo e sofrer e rir tanto. Ela vai ser o mundo e nem sabe. Esta dependência. É tão bonita.


Aos poucos também consigo aguentar a responsabilidade de sorrir. Consigo pegar no carro e com o meu Arquipélago de Gulag e a PJ Harvey nos meus ouvidos pedir uma cerveja sem me sentir extremamente deprimida. O pior das dependências é que, quando algo falha, tudo muda drasticamente. Há uma nova aprendizagem. Tal como a Simone vai aprender a falar, eu vou ter de aprender a não me sentir temerosamente mal ao ouvir a One Line.

























sem asas de outro abraço encaminho-me para este canto bravio e gelado. sei que este lugar ainda te pertence. se fechar os olhos consigo percorrer o teu corpo na escuridão da minha mente. levo a mão ao peito. ainda bate. posso pintar histórias na tua mão? desenhar um mapa de nós nas tuas costas para o decorares num espelho, sem partir. 7 anos? sempre. entende que os meus sorrisos são glaciares de amor gelado com o propósito de manchar a cama onde te deixo. não entendas que são cartas de audácia maior que combatem a dor e a diáspora de emoções quando as tuas três pedras me tocam. com a lembrança dos teus lábios lacrimejantes na minha pele chega um arrepio na nuca. vais seguir o que digo ou o que eu sinto?

"não tens que ser bonita o tempo todo.
e não deixas de ser bonita porque algo é mais forte que tu e fere-te."

A Simone nasceu.

4.4.08

A música da infância.



É impossível resistir a um coro de sapos. Tão bonito.

29.3.08

Momento egocêntrico: Oh Mandy



You got a gnome in the backyard
you put him right on the X mark
you’re eating brains out the back of my head
oh yeah, that's where the money is

Oh Mandy, Oh Mandy
Oh Mandy, Oh Mandy
So Dreamy, Oh Mandy
So Killing, Oh Mandy
Oh Mandy, Oh Mandy

27.3.08

Portishead @ Porto














Cos this life is a farce

I can't breathe through this mask
Like a fool
So breathe on, little sister

breathe on

(ainda a reunir palavras)

24.3.08

Álbum

Hoje eu, as duas mães e os meus avós resolvemos desempoeirar os álbuns antigos e, envoltos no cheiro a naftalina, passamos uma tarde a recortar pedacinhos de vida.

Antes de tudo, carreguem no play. E vejam (:



O meu avô atravessava a nado o Rio Douro.
Adoro o fato de banho.

A minha avó.
Acho que é das mulheres mais bonitas que alguma vez vi.


O meu avô.
Esta foto está incrível.


Mãe, Avó, Tia.
A foto mais retro de sempre.

Mãe <3

11.3.08

Como te chamas, sorriso?

Saio do estágio de cabeça baixa a tentar perceber os meus passos no meio daquele chão molhado. Sorrio para a Candelabro a fechar portas, cruzo-me com o quiosque do Largo de nome-francês, tão abandonado naquele vazio de cidade. Entro na Rua da Picaria e saboreio o cheiro a madeira. É noite cerrada e já nada cheira a promessa.

Demoro-me na montra do Turco. Um dia tenho de vir aqui. Fecho o guarda-chuva. Ao menos vou poder ler no comboio...

Um sorriso do tamanho do mundo pára-me. Inquire-me. "Senhora, senhora!" (Ai... Eu cá não sou senhora!) "Quer este desenho?"

Seguro a menina de cabelo rosa, chapéu roxo e cão bem definido. Para mim? O sorriso acena que sim. Que bonito. Como te chamas, sorriso?



A Alexandra não sabe.

Mas ela hoje foi a melhor parte do meu dia.

10.3.08

Alice, és turva

"Compor do amor esgota as palavras, sempre os mesmos medos anfíbios, as mesmas recusas de côdea crua. O rosto dividido em vários semblantes, a mesma dor aguda picada sobre as úlceras. De lua contrafeita no vaivém de nuvens pardacentas, o berço da noite assenta sobre o orvalho como uma maquinaria de sonhos. Boa noite meu amor, encontro-te difusa na minha boca como uma úvula de campânula. Boa noite meu amor, ainda há um lugar incerto entre a aura do teu alento e os meus braços. Escrever pelo amor estanca nas palavras. O gelo da sanha, a mágoa segregada na bainha das feridas. Sobra o corpo encaixotado nas talas de madeira, a saudade mastigada sobre o pus da gangrena. De lua inerte no desvão negro das trevas, o cerrar da noite transparece no céu a quilómetros de distância. Boa noite meu amor, demoras-te no embargo calado da ternura, permanecem as flores lodosas do teu Inverno. Boa noite meu amor, que o amor não me permite desejar-to de coração livre. Boa noite meu amor.

Dizer-te o quanto desfaleço na tua ausência seria sentenciar-nos à
incoerência deste mesmo amor."
(in Férreos Transversais, Alice Turvo)

Alice nasceu num sábado de sol. Alice é Turvo, é Férreos Transversais, é palavras escutadas, é um hino ao amor. Mas para mim é mais que isso.

No entanto, estas palavras dela são hoje para ti.

29.2.08

Eu liguei numa boa hei!



Alô..
Ola jóia,
Sou eu, teu picasso.
Mas não fazes num fanico
Eu não sou um maçarico!

Eu liguei numa boa hei!
Numa boa hei!
Numa, numa boa hei!

Eu cá estou, sem drama aguardarei
O amor vem mas também vai...

Algum... zum zum...
Diz-me la... Tu hum ??
Na verdade eu só quero dar-te muita felicidade.

Alô...
Ola jóia...
Sou eu de novo... o picasso
Mas não me fazes num fanico
Eu não sou um maçarico

Está lá... ahhh
Está lá... uhhh
Está lá... ahhh
Está lá... va lá !

Simplesmente a melhor música de sempre, com a melhor letra de sempre, com o melhor clip de sempre.

24.2.08

Persépolis

Crónicas deste Irão demasiado presente.

12.2.08

nightly cares

'Touch or feel, you blinding must
Soft the skin
Of the warmest rust
'Cause nothing blows in the faraway
I go, go away
Past the hills, past the day'

10.2.08

Un Je Ne Sais Quoi



Depois de 52 horas de montagem, o mínimo que posso fazer é apresentar a nossa curta.

Um escritor coloca um anúncio num jornal a pedir diários pessoais para se inspirar para a sua próxima obra. Resolve cruzar a vida de duas das pessoas que enviam o seu diário graças a uma característica comum. Essa história passa do plano imaginário para a realidade.

Realizado por: Amanda Ribeiro / Diana Seixas / Filipa Cardoso / Joana Martinho /
Luana Freire/ Melissa Mota

nota: O Google Video tornou isto 4:3 e deveria ser 16.9. Logo, imaginem a coisa mais estendida, tá? :x

7.2.08

Tender Forever & Les Full Japanese - Toxic



Grande baterista.

*xuinfe* nós pedimos para ela tocar isto e ela não tocou... mas em contrapartida encenou uma conversa telefónica com a Britney :D

Dabliu Dabliu Dabliu Dabliu ,Iú Tubí bí, Pôunto Cómy

Então, o senhor Jimmy Kimmel convida o senhor Matt Damon para o seu programa depois uma longa história de...



Algum tempo depois a namorada do senhor Jimmy Kimmel, a grande senhora Sarah Silverman vai ao programa e faz algo incrível:



E pronto, é isto.

Adeus e obrigada.

26.1.08

Let's make a band

1. http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random
The first article title on the page is the name of your band.


2. http://www.quotationspage.com/random.php3
The last four words of the very last quote is the title of your album.


3.
http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/
The third picture, no matter what it is, will be your album cover.


You then take the pic and add your band name and the album title to it, then post your pic.

coisas giras e extremamente inúteis :> *contente*

22.1.08

Sophia de Mello Breyner: O Nome das Coisas

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.

Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.
Sophia de Mello Breyner Andresen

No mês de Dezembro a RTP2 ofereceu aos mais atentos uma prenda de extremo bom-gosto: Três documentários dedicados a "outros tantos nomes incontornáveis da literatura portuguesa". Herberto Hélder, Camilo Pessanha e Sophia de Mello Breyner Andresen foram os grandes visados. Apesar de ter perdido um (Camilo Pessanha) penso que posso afirmar que estes documentários foram dos trabalhos de maior qualidade que tenho visto ultimamente. Contaram histórias envoltas na beleza das palavras de cada um destes nomes e sempre com muito respeito pela obra.
Consegui "O Nome das Coisas" da Sophia. Aqui fica. Vale a pena ver e rever.

Realização: Pedro Clérigo
Produção: Panavídeo / RTP

18.1.08

"Também sou um ilegal" - Paulo Moura

Sou um ilegal. Por exemplo (e isto é uma confissão que faço publicamente pela primeira vez): numa escaldante noite de Agosto, peguei na moto, a minha saudosa Honda VFR 800 FI, e fui de Lisboa ao Porto a 280 km/h. Nem os radares me detectaram. (...)

Magdalene, uma menina de 16 anos, não tinha dinheiro para pagar, aos mafiosos como Karim, a travessia do Estreito e estava a morrer de febre tifóide numa floresta dos arredores de Ceuta. Como era muito boa aluna na Nigéria, acreditava que, mal chegasse à Espanha, teria uma bolsa do Governo para prosseguir os estudos. Quando lhe perguntei porque teria essa sorte, quando todas as outras nigerianas são obrigadas a prostituir-se, deu-me a resposta mais inteligente que eu ouvi em toda a minha carreira de jornalista: "Porque o meu Deus te vai usar a ti para me ajudar".
Eu decidi escondê-la na mala do carro, trazê-la para Portugal e tratar dela. Fui à fronteira investigar as probabilidades de sermos revistados e apanhados, congeminei planos e estratégias, mas decidi não a trazer. Abandonei a Magdalene.

O chefe da floresta, um nigeriano alto com ar de cowboy a quem chamavam o "Americano", fez-me prometer-lhe outro tipo de ajuda. Regressou à Nigéria e pediu-me por email que entregasse na embaixada uma carta de recomendação com um termo de responsabilidade e um convite para visitar Portugal. O "Americano" era um homem inteligentíssimo que, se tivesse realmente nascido nos EUA, seria um prestigiado professor ou advogado. Como nasceu na Nigéria, era o chefe da Mafia. Num outro email, mandou-me fotografias de duas estatuetas africanas do século XII A.C saqueadas num museu. Explicava que pertenciam à sua família e pedia-me que lhe encontrasse comprador. Seria o início da sua vida de homem de negócios em Portugal.
Pensei numa das tiradas Michel Houellebec: nós não odiamos os imigrantes por os considerarmos inferiores. Tememo-los porque achamos que são melhores do que nós.
E menti: escrevi ao embaixador português dizendo que o sr. M. Era um homem de bem e que vinha passar férias a minha casa. Se o plano do "Americano" para obter um visto resultou, cuidado: ele está aí a chegar!

Ao contrário de Magdalene, Aimee conseguiu atravessar. Mal desembarcou em Algeciras, a mafia enviou-a para Lisboa, onde se prostitui na praça do Intendente. Fui lá muitas vezes entrevistá-la, no âmbito dos meus trabalhos sobre imigração. Tornei-me amigo dela e das outras jovens nigerianas. Um dia, soube que ia haver uma grande rusga da Polícia e telefonei a avisá-las. "Aimee, fujam daí rapidamente, a Polícia vai prender todos os ilegais". Salvei-as.
Foi um dos dias mais felizes de que me lembro, confesso-o publicamente pela primeira vez.
Sou famoso no Intendente. Chego lá e um enchame de prostitutas negras corre a abraçar-se a mim: Paulô, Paulô! A Polícia pensa que sou um traficante disfarçado de chulo e deixa-me em paz.

Paulo Moura, Público, 2.4.06

Paulo Moura é um dos mais interessantes jornalistas portugueses. É um percursor do chamado jornalismo literário. Todos os seus escritos estão rodeados de cheiros, sabores, ritmos e vivências deliciosas.

Em Novembro entrevistei-o para um trabalho sobre a relação do jornalista com as fontes em campo de guerra. Durante duas horas ouvi-o com a atenção de uma criança. Fiquei petrificada com as histórias sobre o Iraque, sorri quando o meu gravador se tornou um obstáculo. Lembro-me de ele ter falado sobre o trabalho que tinha feito com os imigrantes. De afirmar, veementemente, que tinha sido mais perigoso, em determinadas situações, passar aqueles meses com eles do que estar em cenário de guerra.

Hoje, quando pela primeira vez peguei nos apontamentos para o exame de amanhã, deparei-me com este título. Ele disse-me, também, uma coisa engraçada. Hoje em dia toda a gente ignora a morte porque está longe e é noticiada de forma fria. Por isso é que ele experimenta (e lecciona) jornalismo literário.

Há um livro sobre os meses que ele passou com os grupos de pessoas que tentam passar para a Europa. Chama-se Passaporte para o Céu. Não vou tardar em comprá-lo.

17.1.08

O meu sexto andar


Clip pour "Sexto andar" du groupe portugais Clã.
Director : Laurie Thinot
Crew : Aurélie Pollet et Emilie Sandoval + guests
Production : Autour De Minuit - Nicolas Schmerkin

Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio encontrou num sexto andar
Alguém que julgou que era para si em particular
Que a canção estava a falar

E quando a canção morreu na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
o que ninguém
estava lá para dar

Um sopro um calafrio, raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio numa simples canção

Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar
(Carlos Tê)

Algures entre a voz da Manuela Azevedo, as palavras perfeitas do Carlos Tê e a leveza animada de Laurie Thinot reside um equilíbrio tão sereno e doce...

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