10.5.10

a falta


tanto tempo casta
tanto tempo apenas
admirada, nunca
amada, agora
presenças transparentes
me atendem
de dia impaciente
conto as horas
que impedem tua chegada

virás como sempre
trajando o manto
do homem invisível
de noite vens velar
o pranto previsível
promessas leves
que a dor é breve
preliminar do amor
que me atravessa

no reverso da língua
que lambe a mão
e sorve o leite
surde o azeite
que queima o dorso
do corpo ocre

o atirador
rechaça a corda
do arco terso
a flecha
corta.

Psyché a Eros
Margarida Vale de Gato
[+ Elaine Constantine]

2 comentários:

Anônimo disse...

O amor nunca é intenso como nos textos de quem os vive...

Prunella la Fuente disse...

passei por aqui, repolhini.
<3<3

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